Conversamos com Edna Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos de Portugal e palestrante do Curso Internacional

14/03/2018

Ainda estudante, a médica portuguesa Edna Gonçalves, hoje referência internacional em Medicina Paliativa, questionava as formas tradicionais de tratamento. “Sempre me inquietou a quantidade de exames que fazíamos sem perceber um beneficio significativo na qualidade de vida dos doentes”, explica. 

A partir dessa inquietação, Dra. Gonçalves passou a se interessar cada vez mais pela área de cuidados voltada para o alívio do sofrimento. Mestre em oncologia, a médica começou a organizar cursos sobre cuidados paliativos em locais como o Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto) e mais tarde no Hospital de Santa Maria da Feira, a cerca de 30 Km de Porto. Nesse último, criou uma Unidade de Tratamento da Dor Crônica, após ter feito pós-graduação em Medicina da Dor.

 

Em 2003, foi convidada para trabalhar no Serviço de Cuidados Paliativos do IPO-Porto, um dos mais antigos centros de cuidado de Portugal, e concluiu seu doutorado em Saúde Pública.

 

 

 

Edna Gonçalves. Arquivo pessoal.

 

 

Atualmente trabalha no Hospital Geral Universitário, onde iniciou o Serviço de Cuidados Paliativos do Centro Hospitalar São João. Também é presidente da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos, cargo que ocupa desde 2016.

 

Edna Gonçalves terá participação dupla no II Curso Internacional Avançado de Cuidados Paliativos do Instituto Paliar. Em 20 de abril a portuguesa dará a palestra Política nacional de cuidados paliativos: avanços em Portugal e no dia 21 falará sobre o tema Cuidados paliativos na Esclerose Lateral Amiotrófica”.

 

“Falando a mesma língua e tendo tantas vivências em comum, a troca de experiências entre Portugal e o Brasil só pode ser vantajosa para os dois países”, comenta.

 

Cuidados Paliativos em Portugal

 

Edna Gonçalves explica que o Serviço Nacional de Saúde Português (SNS) tem três grandes níveis de cuidados: os Cuidados de Saúde Primários; os Cuidados de Saúde Secundários ou Hospitalares e os Cuidados Continuados Integrados. Para os Cuidados Paliativos se desenvolverem nesses três eixos, ela considera necessária a definição organizacional e a garantia de qualidade dos cuidados, a acessibilidade aos cuidados paliativos em todos os níveis de cuidados de saúde, e a formação na área.

 

“Na minha opinião é fundamental dar formação em cuidados paliativos, a nível pré-graduado, a todos os profissionais de saúde, e divulgar estes cuidados na população em geral. Também é igualmente importante reivindicar dos governantes de cada país a importância de desenvolverem políticas de saúde que promovam os cuidados paliativos na medida em que promovem o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos", conclui.

 

 

O II Curso Internacional de Cuidados Paliativos do Instituto Paliar é voltado para profissionais da saúde e acontece nos dias 20 e 21 de abril, em São Paulo. Para fazer sua inscrição, clique aqui.

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